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Força e Matéria por Luiz de Mattos

Muitas tentativas têm sido feitas no setor das ciências filosóficas para explicar o que são Força e Matéria, na sua concepção genérica.  Destituídas, porém, de base, essas explicações (de um modo geral inconvincentes e insatisfatórias) contribuíram, em muitos casos, para aumentar a confusão e a dúvida existentes no espírito humano não esclarecido, a respeito da vida fora da matéria.

Hoje, entretanto, Força e Matéria constituem tema de simples análise, desde que desdobrado, sem grandes reflexões teóricas, na seqüência dos princípios racionais expostos nesta obra, ajustando-se aos moldes de uma invulgar simplicidade, acessível ao raciocínio comum.


Fora do campo da espiritualidade (que é imenso e inesgotável) jamais poderá alguém encontrar solução para os problemas espirituais.

A definição de Força e Matéria situa-se, pois, dentro da lógica dos fenômenos psíquicos amplamente divulgados pelo Racionalismo Cristão.

Enquanto o ser humano não adquirir pleno conhecimento de si mesmo como Força e Matéria, nenhuma indagação filosófica poderá exercer influência decisiva no apuramento da sua conduta individual. Quanto mais segura, mais nítida e realística for a compreensão da ação do espírito sobre o corpo físico, vale dizer, da Força sobre a Matéria, mais depressa a clarividência do sentido espiritual revelará ao estudioso as funções vitais da natureza universal.

Em Força e Matéria se resume, se sintetiza, se define, se explica toda a Verdade da vida. Os princípios reunidos nesta obra apenas encerram a parcela de ensinamentos daquela verdade que está ao alcance da compreensão humana, desde que a criatura se interesse realmente pelo seu estudo, sem se deixar influenciar pelos ultrapassados compêndios sectaristas.

A apuração dos conhecimentos relacionados com a vida reduz os erros em que tantos incidem. E o que é a vida, senão a ação permanente da Força sobre a Matéria?

A Matéria não possui atributos. Estes são exclusivos da Força, e como tal se exteriorizam e manifestam na consubstanciação dos três reinos da natureza.

Os atributos, que os seres encarnados manifestam, apenas constituem reduzido número daqueles que podem revelar espíritos mais esclarecidos que, em virtude do seu maior grau de evolução, já não estagiam neste planeta.

A Força mantém o Universo regido por leis comuns, naturais e imutáveis.

Comuns, porque são inerentes a todos, sem a mínima exceção; naturais, por decorrerem de uma seqüência lógica no processo da evolução; imutáveis, por serem absolutas, e neste sentido não há lugar para o imprevisto, para o acaso ou a dúvida, imperando (só e sempre) a exatidão, a certeza, a perfeição. As responsabilidades e os deveres do ser humano (que ele precisa compreender bem para convencer-se de que toda vez que infringir as leis naturais retarda, inapelavelmente, a marcha da sua evolução) estão dentro destes Princípios.

Assim, sem conhecer o processo do seu próprio desenvolvimento espiritual, sem se conhecer a si mesma na sua composição astral e física, não pode a criatura conduzir-se com o necessário aproveitamento, daí resultando ter de submeter-se, em obediência àquelas leis (ainda que por livre vontade e em duras experiências) a uma multiplicidade de reencarnações cujo número seria, de outro modo, grandemente reduzido.

O Universo é composto de Força e Matéria. A Força é o agente ativo, inteligente e transformador. A Matéria, o elemento passivo e plasmável. Ambos, na sua forma original, indivisível, fundamental e imponderável, penetram todos os corpos, estendendo-se pelo espaço infinito.

A Força, agindo em obediência às leis evolutivas, utiliza-se da Matéria, no estado primário desta, e com ela forma corpos e realiza fenômenos incontáveis e indescritíveis que escapam à apreciação comum, considerados os limitados recursos deste Planeta.

No Universo não há nada de novo e também nada se perde. Tudo nele está criado. Há, somente, transformação da Matéria e evolução da Força.

Os inumeráveis corpos compostos em combinações múltiplas de partículas da matéria organizada, nada mais exprimem do que essas transformações.

Composição e decomposição, agregação e desagregação de corpos, são o resultado da ação mecânica da vida. A ciência química, em suas constantes investigações, classificou mais de uma centena de elementos básicos da matéria organizada, dando à partícula fundamental e infinitésima desses elementos o nome de átomo. Os átomos são cientificamente combinados para formar as moléculas que se classificam, por sua vez, como partículas infinitésimas dos corpos compostos.

Tanto os átomos como as moléculas se mantêm agregados uns aos outros enquanto a força exerce sobre eles a sua ação coesiva, e se desagregam, quando essa mesma força deixa de atuar.

A matéria organizada, ainda que representada por um simples átomo, contém uma soma de energia de extraordinário poder, mantendo-se cada núcleo de alta condensação de força perfeitamente equilibrado com os demais na composição do Todo, em completa uniformidade, cada qual dentro da respectiva classe, sem nenhuma alteração na sua constituição específica. Isto porque o que as leis estabeleceram não pode sofrer modificações, já que não existem imprevistos para a Sabedoria Excelsa que é una, integral, total. A Força, utilizando-se da matéria, começa a sua evolução na estrutura do átomo, passando, depois, a uma nova ordem de ação construtiva, na composição das moléculas.

Em todo o constante agregar e desagregar dos corpos, a intensidade da força vai aumentando nesses núcleos infinitésimos com maior acentuação das vibrações da vida, fazendo progredir o seu grau de inteligência. Completado o ciclo iniciado no primeiro dos três grandes reinos da natureza (o mineral) de onde ascenderam para o vegetal e o animal, passam esses núcleos a constituir-se em microorganismos de ínfima espécie. Desses microorganismos, partindo da espécie ínfima, empreende a partícula de Força a sua evolução através de outras espécies e de outros organismos de maior desenvolvimento, atingindo sempre formas mais elevadas. Na molécula e suas subdivisões, a Força Inteligente apenas se torna perceptível por sua expressão vibratória ou de movimento intramolecular. Já nos microorganismos, além daquela vibração, revela ação de movimento exterior (a locomoção).

Assim, de mudança em mudança de um corpo para outro imediatamente superior, vai a partícula da Força evoluindo, até atingir condições que lhe permitam, já como espírito, encarnar em corpo humano, em situação de exercer a faculdade do livre arbítrio e assumir as responsabilidades inerentes a essa faculdade. Como espírito, encarna inumeráveis vezes, adquirindo sempre mais inteligência, mais luz, mais experiência, mais conhecimentos, mais clara concepção da vida e maior capacidade de raciocínio.

O espírito faz a sua trajetória neste planeta em condições apropriadas ao seu estado de adiantamento, passando em cada reencarnação a viver em meio adequado ao progresso já alcançado, até terminar a parte da evolução que corresponde a este mundo.

O globo terrestre é uma esfera de matéria organizada impregnada de forças que atuam diretamente sobre os átomos, constituindo-os, unindo-os e mantendo-os em equilíbrio, na sistemática de uma complexidade de movimentos.

O átomo está em constante vibração produzida pela energia existente no seu interior, e liga-se a outro átomo pela força de coesão para compor a molécula. É também essa mesma força de coesão que une as moléculas entre si.

De um pólo ao outro da Terra, passam linhas de força que as próprias bússolas denunciam.

A força de gravidade exerce poderosa ação sobre cada átomo, atraindo-o para um centro no interior do globo.Em todos os movimentos que executa, a esfera terrestre é impulsionada pela força que atua no interior dos seus átomos.

O diagrama seguinte dá uma ideia, ainda que elementar, da associação da Força e Matéria no planeta, para a composição dos reinos da natureza.


Diagrama demonstrativo da ação da Força (universal)
sobre a Matéria (universal), na ação e animação de
todos os corpos, destacando-se, em cada caso, os seus
atributos fundamentais, predominantes,
nos três reinos da natureza.
Vê-se, pois, que é a Força o atributo fundamental predominante no reino mineral. No vegetal, a Força e a vida, e finalmente no reino animal (além destes dois últimos atributos) predomina também a inteligência.Não se deve inferir daí a inexistência de vida no reino mineral nem inteligência no vegetal. Apenas se menciona a predominância dos atributos fundamentais apontados, para facilitar a compreensão do leitor, dada a transcendentalidade do assunto.

O ser humano que quiser demorar-se na investigação deste importante tema encontrará campo aberto para desdobrar o raciocínio, fortalecer as suas convicções e concluir que essas duas fontes substanciais (Força e Matéria) são o princípio e o fim, são unidades que se tocam nos seus extremos, que correm paralelas e que, na sua incomensurabilidade, abrangem o Infinito e penetram e envolvem o Universo.

As expressões aqui empregadas são relativas, à falta de outras que melhor possam exprimir uma concepção de ordem absoluta.

Força e Matéria
Por Luiz de Mattos

Fonte:
Livro A Vida Fora da Matéria
Biblioteca Digital do Racionalismo Cristão

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