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A família tradicional jamais poderá desaparecer

Elevando o conceito de família ao mais alto grau, a humanidade representa uma família universal, constituída por criaturas humanas em eterna evolução, sendo representada por um domínio onde prevalece a diferença, contudo, é através dessa diferença que a evolução é processada e é nesse domínio que nós seres humanos devemos exercitar as virtudes do afeto, da tolerância, da lealdade e da comunhão de sentimentos.

Restringindo a família universal à partícula elementar, temos a família nuclear, constituída pelos elos familiares e iniciais: pai, mãe e filhos ou família extensa, quando inclui a restante família materna e paterna.

Alguns historiadores e investigadores provaram que o conceito de família é longínquo e começou por viver num estado “selvagem” até ao estado de “civilização”.

Atento que, ainda hoje este estado de “selvagem” permanece, em algumas sociedades primitivas, não deixando no entanto de se cumprir alguns requisitos naturais e de ter por designação fundamental a unidade básica formada por indivíduos com ancestrais comuns ou ligados por laços afetivos. E por meio da evolução ao longo dos tempos que este modelo de progressão natural e necessário à humanidade sofreu a mudança, no sentido de adaptação às circunstâncias sociais.

O termo "família" é derivado do latim "fâmulo", que significa "escravo doméstico". Este termo teve a sua origem na Roma Antiga para designar um novo grupo social que surgiu entre as tribos latinas. O termo em si cresce em importância e passa a basear-se na família natural, correspondente ao agregado familiar.

Desde essa época até aos dias de hoje, embora em minoria, ainda predomina a estrutura patriarcal.

Duma união “familiar” temos a esperar que esta se desenvolva no seu crescimento, através da geração de filhos. É neste núcleo inicial que cada indivíduo inicia a sua trajetória evolutiva e por isso deve encontrar o ambiente proporcional ao desenvolvimento de todas as virtudes.

O casamento nas sociedades ocidentais está associado à monogamia, mas existem sociedades onde a poligamia é permitida tanto por parte da mulher (poliandria) como por parte dos homens (poliginia). George Murdock descobriu e referencia este tipo de sociedade.

Atualmente o grande dilema está na união de seres do mesmo sexo para constituir um novo formato de família. Quando falamos em família, não podemos nos abstrair da importância que a sexualidade desempenha na vida de cada ser. Mas, a humanidade precisa se esclarecer sobre a lei das re-encarnações e o entendimento sobre o atavismo, para que este dilema se anule.

O corpo é a matéria-prima, a partir do qual expressamos e realizamos as nossas necessidades, é o objeto que permite o encontro e a aprendizagem no amor. Através do nosso corpo físico expressamos a alma, personalizamos o nosso “eu”. Com ele aprendemos e nos adaptamos à vida. Sendo o “veículo” para nos libertar e alcançar a plenitude, é com ele, que podemos andar, falar, ouvir, pensar, aprender, cantar, dançar, ou pintar.

O corpo é instrumento ao qual utilizamos para dar formas aos nossos movimentos e sentimentos, nos ligamos e expressamos a nossa vida material a espiritual, educando-o, movimentando-o harmoniosamente, fazemos dele uma unidade corpo e alma.

Em relação à nossa sexualidade, esta é a expressão corporal da nossa capacidade de amar, mas se não a educarmos, em vez de servir para expressar e realizar o amor, arrasta-nos a comportarmo-nos como “bestas” humanas, liberando apenas aos instintos do corpo.

É o desconhecimento profundo da função e do sentido da sexualidade na personalidade humana, que provoca muitos erros, vivendo-a numa dimensão errada.
A sexualidade para além da sua função generativa é uma expressão corporal de elevada dimensão. Assim como os nossos olhos veem, os ouvidos ouvem, o corpo dança, anda, damos sentido nos movimentos, o nosso sexo exprime a nossa capacidade de amar, representa a entrega e a liberdade. “É com ele que geramos a vida”, perenizamos nossa espécie, dando assim expressão contínua a vida.

Nascemos com sexo definido biologicamente, um corpo constituído e determinado para receber o nosso patrimônio espiritual, pois um corpo por si só nada é, tem com ele uma alma que o anima e lhe dá vida, e que mediante as suas tendências atávicas e de difícil reparo e superação, que a partir do nascimento são afetadas pela socialização do gênero, através de agentes exteriores que moldam o comportamento humano numa aprendizagem cultural, social e familiar.

Assim o que prevalece para a evolução do “ser” independe do atavismo, mas depende do respeito, da aceitação e da lealdade para com o corpo físico que recebeu para viver sua vida, tendo como princípio fundamental a busca do conhecimento de suas funções, constituindo assim a sua própria superação.
Um corpo feminino ao nascer recebe todas as funções para brindar a geração da vida, assim essa alma que o escolheu como sua morada, deverá aceitar como tal, para garantir a sua evolução espiritual. Exemplo que é válido tanto para a mulher ou para o homem, jamais deverão transfigurá-lo física ou mentalmente.

Poderemos exemplificar com uma metáfora, o caso de um corpo que venha ao mundo com alguma má formação congênita, por exemplo a cegueira ou o daltonismo, essa alma terá que aceitar e conviver até o final dessa vida sem testemunhar as cores do mundo!

O exemplo de cegueira ou de outros são verdadeiros exemplos de como a criatura com seu corpo nessa condição terá que direcionar a sua vida com a elevação que ela merece e transformá-la com valor e dignidade, fazendo a sua evolução espiritual ao ultrapassar os seus defeitos físicos ou mentais.

No entanto, vivemos num mundo determinado por leis patrocinadas pelos próprios homens, ainda prevalece o seu livre arbítrio, faculdade do próprio ser, orientada pelo raciocínio e controlada pela vontade. É a liberdade plena de ação voltada tanto para o bem, quanto para o mal, de acordo com a sua livre escolha. Por isso, e numa dimensão universal, seja qual for a personalidade que um “ser” deseje viver, apenas teremos que respeitar a sua decisão e dela ele será o seu único autor e responsável, permitindo assim, ou não que sua missão terrena se cumpra.

Erros que só serão percebidos quando a criatura elevar a sua consciência. Contudo, haverá sempre uma forma de mudar; despertá-la, para que esta faça um salto qualitativo em sua vida, permitindo reprograma-la, sofrerá os danos que provocou em si, pois estes ficarão eternamente marcados, mas serão superados quando vivenciados em plena consciência e lucidez da sua mudança.

Na atualidade, as mulheres partilham de um espaço mais abrangente em suas vidas, não se limitando apenas ao seio familiar, fazem uma carreira profissional, e portanto é uma exigência haver uma partilha do sexo aposto nas atividades que anteriormente eram apenas restritas às mulheres, como sendo às domésticas, exigindo assim ao casal um sentido de elevação de sentimentos e compreensão mutua.

A estrutura tradicional de família sofreu um desgaste ao longo dos tempos, hoje o famoso "retrato familiar" já não é o habitual, muitas famílias apresentam-se como agregados monoparentais, em consequência de separações, contudo os termos de “mãe solteira”; “família sem pai”, “lares desfeitos”; … não tem o mesmo poder discriminativo de outrora, existe uma maior aceitação deste tipo de situação. Até existe uma minoria que tem optado por ser “mãe solteira por opção”.

A família recomposta está associada ao desmembramento da família nuclear, e nos apresenta novos formatos familiares, é por isso definida como sendo uma família constituída por filhos de outros matrimônios, provém de um segundo, terceiro ou mais matrimônios, em que um dos membros traz consigo filhos de casamentos anteriores.

Embora possam existir famílias recompostas harmoniosas em seu viver por norma esta reconstituição familiar geralmente traz consigo conflitos e tensões inerentes a sua manutenção, implicando a evasão de novos elementos no agregado familiar, por exemplo; poderá aparecer outra figura “paternal”, avós, tios, irmãos mais velhos, ou outros parentes, como alternativa no amparo e proteção ao agregado vítima de uma disfunção familiar, justificando assim a recomposição de novos formatos familiares.

A mudança do modelo familiar consiste em incrementar valor e esclarecimento espiritual, pois só este leva à evolução. O modelo tradicional de família jamais poderá desaparecer, terá sempre que haver um pai e uma mãe, como figura central, progenitores duma possível cria, e que as criaturas humanas procurem a sua verdadeira essência e esta só é possível quando se espiritualizarem, e conseguirem vislumbrar que antes de serem um ser físico constituído por um corpo, está uma alma sedenta de progredir e que o segredo da vida se encontra em espiritualizar-se e a Doutrina Racionalista Cristã, nos oferta todos os princípios básicos de uma sociedade justa, segura e saudável que buscamos.

Neste artigo há uma forte preocupação em salientar que há um engodo de interpretação no proceder de algumas criaturas, que colocam seu corpo como um o instrumento de felicidade. Nunca é demais recordar que o corpo é apenas um simples veículo a transportar o espírito ao encontro da plenitude da eterna felicidade na caminhada evolutiva de uma existência física.

Possíveis desvios de conduta devem ser considerados como o resultado da busca e a vontade em acertar em atitudes de encontro com o bem, pois só o espírito recebe o acervo do conhecimento espiritual.

E a Doutrina Racionalista Cristã nos ajudará a diminuir possíveis desentendimentos, minimizando os sofrimentos, ensinamentos fundamentais para elevar e fazer o encontro com a plena felicidade.

Referencias Bibliográficas:
GIDDENS, Anthony; Sociologia; Fundação Calouste Gulbenkian. 5ª Edição: ISBN 978-972-31-1075-3
TEIXEIRA, J. Raul; Desafios da Vida Familiar. Editora Fráter: CNPJ 30.597.876/0001- 28

A família tradicional jamais poderá desaparecer
Por Ana Paula Oliveira e Wilson Candeias

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