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Os porquês da vida

Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente, que serve de base à explicação dos porquês das coisas.
 
As causas desses “porquês” são a Força, que se deve procurar na sua fonte de origem, o primeiro elemento componente do Universo, pois os efeitos são a matéria, e nada mais. No Universo só existem Força e Matéria, os mesmos componentes do homem e de tudo que tem vida. Nada reais há, além desses dois elementos, Força e Matéria. Tudo se engendra e desdobra dentro deles.
 


A Força, parcelada em todos os reinos da natureza, causa primacial de tudo quanto existe neste e nos outros mundos, que o vulgo erradamente denomina Deus e nós chamamos Grande Foco, por ser incitador de tudo quanto existe neste e nos outros mundos, – não a conhece a humanidade nem a definem as inumeráveis seitas existentes na Terra, desde as praticadas pelos selvagens, às dos povos ditos civilizados.

Também não a conhecem os espíritas religiosos, em geral, que nada mais praticam que variantes da Magia negra, a torpe e vilíssima feitiçaria, saídos todos esses praticantes das diversas seitas, que nada souberam explicar sobre a composição do Universo e o que são a Força, a Inteligência e o Espírito, causa de tudo quanto existe.
 
Nenhuma dessas pessoas (umas tidas como chefes dalguns ramos do espiritismo, e outras dirigentes das várias seitas), soube explicar o que toda gente tem necessidade de saber para esclarecer-se sobre a alma, na qual todos falam, por “ouvir dizer”, mas sem a noção exata, certa e segura do que seja, como partícula integrante de um dos dois elementos componentes do Universo e dos seres.
 
É dessa ignorância, oriunda da indolência espiritual, uma das mais perigosas, porque dela nascem os males de que a humanidade está sofrendo, que resulta para todas as seitas e pessoas em geral, a aceitação do “coração”, como fonte de sentimentos humanos, de alegrias e tristezas de toda gente, quando aquele órgão não passa de um músculo, cuja maior importância consiste em ser pêndulo do corpo que, como no relógio, carece de corda, e se a este a dá a mão humana, àquele, ao coração, a dá o espírito, que, tal qual a mão, vive do lado de fora desse referido músculo, mais intensamente ligado ao cérebro, motivo pelo qual nos grandes abalos morais, é a cabeça que mais sofre.
Diante do exposto, o coração nada mais é que um órgão receptor das emoções vibradas pelo espírito sobre o cérebro e deste reproduzidas sobre aquele, mas já como conseqüência do dano produzido no sistema nervoso e na ramificação arterial, visto ser o coração o órgão distribuidor do sangue. O cérebro é o engenho central da rede telefônica, e o coração a estação nutridora.
 
No relógio, a corda, depois de alguns anos, arrebenta e fica sem conserto, não exercendo a mão do homem mais influência sobre a máquina. Na criatura, chegando o tempo, gasta a matéria, fica enfraquecido o pêndulo (coração) e é obrigado o espírito a cessar também a sua influência irradiativa sobre o corpo.
 
Se não houvesse ignorância a respeito dos porquês da vida e de todas as coisas, e do que cada um é, as criaturas não atribuiriam ao coração, importante, mas simples víscera do corpo humano, qualidades, sentimentos, bens e males, alegrias e tristezas que só podem existir e, de fato, existem, no espírito (alma), visto que a matéria “só se organiza, incita e movimenta por um elemento que lhe vem de fora e vive fora dela, que é o espírito”, princípio explanado e consagrado por Claude Bernard, o pai da Fisiologia moderna, pelo grande Paul Gibier, discípulo querido de Pasteur, e outros cientistas honestos.
 
Quem empregar as frases “o coração manda”, o “coração chora”, o “coração canta”, o “coração tem melodia”, e “o coração tem amor”, prova nada conhecer da composição do Universo, do que sejam o pensamento e a alma. Sua obra poderá ter boa literatura, mas encerra poucos ou nenhuns ensinamentos, visto ter por base a matéria e pensamentos materializados.
 
Isto é a verdade, e porque o é, não agrada a muitas nem pode ser compreendida pelos que se dizem espíritas e praticam o espiritismo sem método e disciplina, tornando-se fanáticos, que loucos são, por não quererem fazer o menor esforço para raciocinar e tão pouco para melhorar o seu “eu”, preparando-se para o cumprimento do dever, a fim de colaborarem na grande obra do Todo, como verdadeiros obreiros do Bem, que só podem ser aqueles que se conhecem como Força e Matéria e palmilham o caminho traçado pelos Princípios racionais pregados por Jesus, que se neguem à vida de prazeres desordenados, à mentira, às convenções saciais, pondo de lado evangelhos e teorias esdrúxulas, e surgindo no palco da vida como homens sensatos, francos, leais, valorosos, nunca encobertos como manta da hipocrisia, escondidos sob pseudônimos ou acovardados no anonimato, nem como vive a maioria dos seres que se intitulam evangelistas-espíritas, todos melosidade, mas também insinceros, subservientes, como insinceros são os seus guias, embora rotulados de nomes pomposos com que gostosamente os ludibriam, sugam-lhes a vida anímica e enfraquecendo a espírito, levando os mais fracos ao avassalamento, à loucura.
 
Por assim ser, e não como muitos supõem, é que afirmamos, com segurança absoluta, que tais praticantes do Espiritismo mística são uns infelizes, porque não passam de fabricantes de loucos, como tereis, caro leitor, ocasião de ler através destas colunas em que tudo vos explicaremos, pelo desejo que temos de cumprir o nosso dever de cristão, e jamais como exibicionista.
 
Estas coisas, caros leitores, precisais saber, por serem elas as mais sérias da vida humana, que se conservaram, apesar disso, por muito tempo encobertas e assim continuariam por séculos, se não fossem chegados as tempos prometidos por Jesus, para o raiar de uma nova aurora.
 
Os porquês da vida
Por Luiz de Mattos

Fonte:
Livro CLÁSSICOS DO RACIONALISMO CRISTÃO

Biblioteca digital do Racionalismo Cristão




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