O espírito é luz, é inteligência, é vida, é poder criador e realizador. Nele não há matéria em
nenhum dos seus estados. É, portanto, imaterial. Ele é indivisível, eterno, e evolui para o
aperfeiçoamento cada vez maior. Partícula individualizada, assim se conserva em
toda a trajetória que faz no processo da sua evolução.
— Luiz de Mattos – Fundador do Racionalismo Cristão

AMENIZANDO O SENTIMENTO DE ABANDONO

Quando um papai planta uma sementinha na barriga da mamãe, ele apenas está criando o corpo físico do futuro bebê. Para que este bebê venha a nascer a cegonha precisa trazer a alma ou espírito para aquele corpinho que se forma.

Acontece algumas vezes, que a cegonha tem tanto serviço, que acaba se atrapalhando, entregando o espírito que dará vida a futuro ser, em uma barriga que não deveria recebê-la, gerando um bebê que não estava programado para nascer ali.

Enquanto isto, a sementinha que deveria ter recebido aquele espírito, morre por falta dele. Enquanto a mãe que recebeu o espírito — por acaso — não consegue cuidar direito do filho que teve, mas que não queria ou não teve a intenção de ter, a mamãe verdadeira procura encontrar com quem está seu filho ou filha querido. Muitas vezes, pressionadas pela sociedade, as mães — por acidente — até tentam cuidar do bebê, entretanto, elas não conseguem, pois não reconhecem naquela criança o seu filho de verdade e acabam judiando, ou abandonando nas ruas.

Aqueles que têm mais sorte são levados pela própria mãe, ou vizinhos até a polícia, para um abrigo de crianças sem família. Foi isto que aconteceu com vocês. A mãe biológica de vocês percebeu que não eram suas de verdade as crianças que recebeu, e os deixou em um abrigo público, que é onde as mamães verdadeiras costumam procurar seus filhos perdidos. É muito fácil identificá-lo — basta abrir o coração e olhar bem fundo nos seus olhos...
Assim sendo, temos que agradecer muito à mãe biológica que os gerou materialmente em seu corpo e cuidou de vocês enquanto pode, pois muitas mulheres não reconhecem a responsabilidade que assumiram, mesmo sem querer e impedem que aquele bebê venha a nascer. Portanto, uma criança que se encontra em um abrigo, não foi abandonada, está apenas a espera de seus verdadeiros pais.”

Esta é uma história que narro aos nossos filhos para ameniza-lhes o sofrimento pelo sentimento de abandono, desde o momento em que tivemos o firme propósito em adotá-los. Mas com o passar dos anos e a compreensão das crianças estamos esclarecendo-os sobre a vida fora da matéria e a se conhecerem como Força e Matéria.

A visão espiritual dessa história está inserida no contexto racionalista cristão, na medida em que sabemos que é o próprio espírito quem escolhe seus pais antes de vir ao planeta Terra, para mais uma jornada em corpo físico.

Considerando que, quando encarnamos já temos o plano de nossa vida física prontinho, esta escolha não seria unilateral, mas sim um acordo entre os espíritos que se encontram “na fila” para conquistar uma oportunidade de encarnar na Terra.
 
Desta forma, poderá ser que alguns pais já chegam à vida física sabendo quem serão seus filhos. Quando dormimos através do sono vamos ao nosso mundo de luz tomamos conhecimento de nossos compromissos e corrigimos os caminhos a seguir sobre nossas missões que assumimos antes de encarnar.

Poderá ser também durante as irradiações sobre nossos próximos passos com relação a tudo que nos concerne a nossa vida e a dos filhos que nós assumimos responsabilidades para com eles facilitando a sua caminhada neste mundo escola.
Da mesma forma como nos “distraímos” em demasia com os requisitos da vida material, deixamos de cumprir parte ou às vezes até a totalidade dos propósitos de nossa encarnação, fracassando assim em nossa jornada, também nos esquecemos de pactos realizados para a formação de uma família e consequentemente do nascimento de filhos.

Enquanto isto, o espírito que aguarda ardentemente pela encarnação, precipita-se então em qualquer meio, independente do habitat em que reencarnará.

Em plano físico, podemos verificar que a concepção não ocorre como deveria, de maneira organizada e planejada. É incontável o número de famílias que não dispõem de meios para criar um só filho e acabam tendo vários.
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“...o amor materno é o maior de todos os amores, é um amor elevado,
um amor desprendido. É através do amor materno que a mulher conhece
a renúncia sem sofrimento.” — Maria Cottas

Muitas pessoas atribuem o número de filhos ao nível socioeconômico, entretanto na prática o que mais interfere nesse número são medos, desconhecimento de métodos anticonceptivos, preconceitos e até mesmo há o sentimento de impotência em não ter condições de atender não só as necessidades materiais como espirituais.

Por outro lado encontramos pessoas que passaram por inúmeros relacionamentos deixando para trás um fruto de sua irresponsabilidade. Existem outras pessoas que procuram limitar o número de filhos, conseguindo dessa forma atender de maneira satisfatória às responsabilidades que a concepção impõe.
 
Podemos identificar dois grupos de pessoas que concebem filhos sem condições para tal, chegando até mesmo a abandona-los ou perder sua guarda, devido a incompetência para criá-los.

O primeiro: seria de espíritos nas suas primeiras encarnações, que ainda não tem consciência do uso do livre arbítrio.
O segundo grupo: seria de espíritos em qualquer estágio evolutivo, inclusive os mais adiantados, que se deixam perturbar de tal forma pelas vibrações materializadas do planeta, incorrendo em tal erro.

As leis no Brasil permitem a adoção de crianças e o procedimento é muito fácil. A pessoa interessada em adotar uma criança deve procurar o Juizado da Infância e Juventude de sua cidade, com os seguintes documentos: certidão de nascimento ou de casamento, comprovante de residência e de renda.
 
O objetivo não é saber se a pessoa é rica ou pobre, mas sim se ela tem condições mínimas de acolher mais uma pessoa. A justiça brasileira deve ter a certeza de que a criança não vai sofrer um novo abandono.

Em alguns países há programas como o “foster-family” permitindo a famílias cuidarem de crianças apenas por um período. Ou programas como “big-brothers ou big-sisters” que seriam pessoas comuns e preparadas antecipadamente para cuidarem e proverem aconchego amigável e familiar a crianças, por um período indeterminado.
 
Estes formatos de adoção temporária alivia o trauma de uma criança que vem de um lar desfeito por algum tipo de violência doméstica e que após a reabilitação do casal esta criança pode retormar ao seu lar em qualquer tempo. Estes projetos não permitem a adoção permanente.

Resta-nos salientar que, quando um de nossos filhos adotivos manifestar o desejo de conhecer suas raízes e, muito embora, esse filho já faça parte de nossas vidas, deveremos ter consciência de que o criamos, o educamos, e o amparamos contra o abandono para fortalece-lo a enfrentar os reveses do mundo físico e fazer uso do livre arbítrio para tomar suas próprias decisões.

Nós como pais adotivos e, como seres esclarecidos, devemos ter sempre em mente que, legalmente, não é permitido contato entre os pais biológicos e adotivos, porém, não compete a nós dificultar esse reencontro.

“Estudos feitos por psicólogos têm demonstrado o quanto é importante
para a estrutura psicológica da criança o carinho de uma mãe.
Crianças abandonadas em asilos ou orfanatos muitas vezes carregam
marcas irreversíveis, porque lhes faltou aquele carinho
inicial que só a mãe consegue transmitir a seus filhos. O espírito quando
não recebe nos seus primeiros anos de vida as lições de
generosidade e amor dadas pela mãe, às vezes se torna carente
na sua estrutura psicológica, insanável naquela encarnação”
— Maria Cottas
AMENIZANDO O SENTIMENTO DE ABANDONO
Por Marilei Molina
Participação na elaboração e revisão: Wilson Candeias Moita